Guerra de "Extremos"
O passado dia 24 de Janeiro (de 2021) deu lugar a mais uma eleição presidencial, na qual o vencedor da noite foi Marcelo Rebelo de Sousa. A verdade é que não foi o único vencedor numa noite de surpresas, algumas mais previsíveis do que outras.
- Uma das surpresas da noite foi a prestação de Tiago Mayan, o escolhido pela Iniciativa Liberal, que era um total desconhecido dos votantes mas que, através da sua campanha e das ideias defendidas, conseguiu mais votos do que aquilo que se esperava inicialmente;
- A outra surpresa, não tão surpreendente, depreende-se com o facto de 500 mil portugueses terem optado por votar em André Ventura, um candidato dito de extrema-direita e que se intitula de "anti-sistema".
Primeiro que tudo, Portugal, e qualquer outro país, precisa e sempre irá precisar de um sistema democrático, é tudo isto que permite a engrenagem funcionar, é com este sistema que se torna possível a existência de um SNS e de uma panóplia de serviços fulcrais para a nossa vivência em sociedade. Quer isto dizer que, na minha opinião, é extritamente necessário haver um sistema democrático mas, este mesmo sistema deve sofrer uma "remodelação" em pontos estratégicos e, é por essa razão, que muitos votaram no Tiago Mayan da Iniciativa Liberal.
Por outro lado, temos o André Ventura, e muitas são as críticas (injustas) a quem votou neste candidato, isto porque, o voto em A.V. não torna as pessoas racistas, xenófobas ou qualquer outro dos nomes que lhes têm chamado. Esta devia ser sim uma "chamada de atenção" para os problemas que existem e que os políticos continuam a "fechar" os olhos, e é isso que explica a fraca prestação do candidato do PCP e do BE nestas eleições ou até do CDS-PP (se olharmos para a Assembleia da República), ou seja, as pessoas já estão fartas daquilo que é defendido por estes partidos e quando chegam outros que defendem ideias diferentes, é nestes que elas vão votar.
Acho que a grande diferença entre o CHEGA e a Iniciativa Liberal, é que o primeiro quer ser "anti-sistema" enquanto o segundo quer "remodelar" o sistema vigente e nós, enquanto seres racionais, temos de olhar realmente para o cerne da questão, tentar compreender o porquê de os "novos" partidos estarem a ganhar tanta força e daí ter conclusões importantes, invés de estarmos a gastar energias a criticar quem votou no A.V.
São estes "fenómenos" que nos dão a oportunidade de alterar aquilo que está a ser evitado ao longo de todos estes anos e, estes "fenómenos" podem ser o arranque para um Portugal menos corrupto e muito mais desenvolvido!